O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Rodney Miranda, pediu uma apuração rigorosa das causas da confusão às Polícias Civil e Militar e vai solicitar o acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Ministério Público (MPPE) para garantir a isenção nas investigações. Ontem à noite, ele abandonou uma reunião na Secretaria de Justiça para visitar o capitão Dimerson Mendes, no Hospital Unimed, na Ilha do Leite.
A visita durou menos de 15 minutos. Na saída, o secretário evitou polemizar sobre quem teria iniciado a confusão. Informou que a visita era para prestar solidariedade ao colega e pegar uma versão mais detalhada da história. Segundo Miranda, existem muitas versões sobre o episódio, que só serão esclarecidas após as investigações.
Por determinação do secretário, a Polícia Civil já abriu inquérito para apurar o caso. A polícia quer identificar todos os feridos e já começou a tomar depoimento de testemunhas. “Havendo abuso de qualquer lado vamos apresentar à sociedade e para a Justiça.”
A PM também já abriu procedimento administrativo para investigar o desaparecimento da arma. Sobre o pequeno efetivo da PM designado para acompanhar o caso, o secretário afirmou que o número de policiais escalado para o serviço era suficiente. “A manifestação já estava acabando. Eles já estavam dispersando”, argumentou.
Na quarta-feira, o JC entrou em contato com a assessoria de imprensa da PM para saber como seria o esquema de acompanhamento da manifestação, já que a expectativa era de que uma multidão participaria do ato nas ruas do Centro. A informação repassada foi de que não haveria nenhum esquema de segurança especial. Apenas agentes da CTTU e uma viatura da PM acompanharam a caminhada. Até pessoas que utilizaram a passeata para fazer tumultos e arrastões não foram detidas, porque não havia PMs em bom número.
FERIDOS – O assessor de comunicação da PM coronel, Éden Vespaziano, informou que o capitão Dimerson levou vários cortes na cabeça e apresentava diversos hematomas por todo o corpo. No entanto, a tomografia e os exames traumatológicos mostraram que os ferimentos não comprometeram nenhum órgão do oficial. O soldado do Batalhão de Trânsito Anthony Jurema Veríssimo sofreu ferimento no ombro. O tenente Vieira de Melo também ficou ferido, mas sem gravidade.
Pelo menos quatro integrantes do MST foram levados para o Hospital da Restauração (HR), com escoriações leves. Lucilene do Nascimento, 20 anos, Albertan de Melo, 28, Elinaldo da Silva, 28, e Flávio Alberto da Conceição, 31, tiveram alta. Um cinegrafista de uma produtora e dois manifestantes prestaram queixa na Delegacia de Santo Amaro.