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CONFLITO

PM é espancado e líder do MST leva tiro na mão
Publicado em 21.04.2006

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Na marcha de abertura do II Fórum Social Brasileiro, ontem no Centro do Recife, mais dez pessoas tiveram ferimentos leves

A marcha de abertura do II Fórum Social Brasileiro, ontem à tarde, no Centro do Recife, acabou em tiroteio, pancadaria e pânico da população. O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jaime Amorim, levou um tiro de raspão no polegar da mão direita, mas já foi medicado e passa bem. O capitão da PM Dimerson Mendes, 41 anos, foi espancado por mais de 20 manifestantes. Bastante machucado, ele foi encaminhado ao Hospital da Unimed, na Ilha do Leite, área central da capital, e recebeu alta médica às 22h. A Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que a pistola ponto 40, que estava sendo portada pelo oficial, foi levada. Outras dez pessoas, entre deputados, integrantes de movimentos sociais e policias tiveram ferimentos leves. Apenas uma viatura da Polícia Militar acompanhou a passeata, que reuniu mais de 10 mil pessoas.

Toda a confusão começou cerca de 20 minutos depois que a caminhada chegou ao Pátio do Carmo, por volta das 18h. No momento em que Jaime Amorim discursava em cima no carro de som, três policiais militares entraram correndo no meio da multidão.

A PM informou que os policiais estavam atrás de uma pessoa que havia praticado um assalto e teria se infiltrado entre os manifestantes para se esconder da polícia. O fato é que os PMs não encontraram o suposto criminoso e começaram a bater com cassetetes em pessoas que estavam apenas ouvindo o discurso. O Jornal do Commercio flagrou o momento em que um jovem, que olhava a manifestação, foi agredido pelas costas. A ação do trio de policiais revoltou os movimentos sociais que participavam da marcha. Um dos coordenadores da União da Juventude Socialista (UJS) criticou duramente no carro de som a ação da PM, acirrando ainda mais os ânimos. Foi a deixa para manifestantes partirem para cima da PM com pedras nas mãos.

Acuados em frente à Igreja do Carmo, os três policiais começaram a atirar para tentar afastar as pessoas. Os dois primeiros tiros foram dados para cima. Nesse momento, Jaime Amorim desceu do carro de som para tentar conter a multidão e proteger os policiais. Ele e o cinegrafista da TV Mangue, Fábio dos Santos, que acabou levando uma pedrada no braço, tentaram resgatar os PMs e fizeram uma espécie de escudo humano. De nada adiantou. Pouco depois, a PM disparou mais cinco tiros. Em seguida, integrantes do MST trouxeram Amorim nos braços. Ele ficou deitado no Pátio do Carmo e uma multidão o cercou para saber o que tinha acontecido. Um boato de que um PM tinha atingido Amorim no peito se espalhou rapidamente. A ira dos manifestantes foi ainda maior. Com pedras, bancos, pedaços de pau e garrafas, eles partiram para cima do capitão Dimerson, que teria, segundo os movimentos sociais, atirado em Amorim.

Depois de dominarem o oficial, teve início a sessão de espancamento. Um banco de madeira foi quebrado na cabeça do capitão. Alguns jogaram pedras e outros deram murros e chutes. Desesperados, os líderes dos movimentos sociais e do II Fórum Social Brasileiro tentaram de todas as formas impedir as agressões. Os deputados Paulo Rubem (PT), Roberto Leandro (PT) e João Fernando Coutinho (PSB) conseguiram afastar o capitão do meio da multidão. Mesmo assim, o clima continuou tenso. A viatura da PM que estava no local teve o vidro quebrado. Nesse momento, os policiais sacaram novamente as armas, no entanto, não atiraram. O deputado João Fernando Coutinho acabou sendo atingido na cabeça por uma pedra.

Dez minutos depois da confusão, quatro viaturas e dois trios de motocicleta da PM chegaram ao local.

 
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