Jornal do Comércio.
Abramo
propõe atacar nepotismo cortando cargos
Publicado em 16.04.2005
Dirigente da ONG Transparência
Brasil avalia que só com corte drástico dos cargos comissionados será possível
acabar com o empreguismo
MONICA CRISOSTOMO
Em meio ao debate nacional sobre
as propostas para barrar a contratação de parentes nos
Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o diretor executivo da ONG
Transparência Brasil, jornalista Cláudio Abramo,
defendeu ontem a redução drástica do número de cargos comissionados como “a
única forma eficiente de combater o nepotismo”.
Ao lado do ministro Waldir Pires,
chefe da Corregedoria-Geral da União, Abramo falou no
1º Fórum Estadual de Combate à Corrupção, promovido pelo Ministério Público
estadual, Controladoria Geral da União e Tribunal de
Contas de Pernambuco.
“A capacidade que algumas pessoas
possuem de efetuar nomeações de forma desenfreada é um terreno fértil para o
nepotismo. Se houver uma diminuição real do número de cargos
comissionados o problema será atacado pela raiz”, argumentou Abramo.
Numa crítica direta ao governo
federal, o jornalista questionou a “falta de interesse” do Executivo em
desengavetar um projeto de autoria do presidente nacional do PT, José Genoíno - quando ele ainda era deputado federal -, propondo
um corte radical na quantidade de cargos comissionados nos três Poderes.
“Por que esse tema não volta a
ser discutido agora que o PT está no poder? A resposta é simples. É porque o
mundo muda de configurações dependendo do lado em que as pessoas estão”, disse Abramo.
Apesar de concordar com o
argumento, Waldir Pires defendeu a disposição do governo federal de combater o
problema. “O nepotismo é um mal que acompanha o Brasil desde os primórdios. Faz
parte, inclusive, da cultura popular. Quem não conhece a frase Mateus, primeiro
os teus? E o problema aumentou consideravelmente em função do estado mínimo
implantado pelo modelo neoliberal, especialmente nos últimos 15 anos. Mas o
governo federal tem lutado contra esse e outros problemas”, declarou Pires.
Para o ministro, que é favorável
ainda à criminalização do
nepotismo, as nomeações para cargos comissionados deveriam se limitar a funções
estratégicas. “Primeiro, acho que é necessário uma
conscientização ética da sociedade. Se mesmo assim não houver solução,
sou favorável à penalização”, justificou. Defensor do
modelo de fiscalização (interna) adotado pelo governo federal, Pires anunciou a
ampliação dos serviços oferecidos pela Corregedoria. “Até junho, estaremos
tornando públicas as informações sobre os empréstimos concedidos a municípios e
instituições públicas pelos bancos oficiais”, prometeu.
Por sua vez, o procurador-geral do Ministério Público de Pernambuco, Francisco Sales, lançou duas propostas para auxiliar o combate à corrupção no Estado: a primeira, direcionada ao Legislativo estadual, foi a criação de um Fórum Parlamentar Estadual contra a Corrupção. A segunda, endereçada ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, sugere a criação de duas novas câmaras judiciais para tratar exclusivamente de casos envolvendo corrupção.