Mapa das ações afirmativas - 10:06
6.06.2006
Correio Braziliense,
06/06/2006
Confira um panorama dos métodos utilizados pelas
instituições de ensino superior, espalhadas por vários pontos do país, para o
ingresso na universidade pública
Priscilla Borges, da equipe do Correio
Inúmeras universidades
públicas do país já adotaram programas de ação afirmativa. Os beneficiados não são só os afrodescendentes e
indígenas, como no caso da Universidade de Brasília (UnB). Há instituições que
privilegiam os estudantes que vieram da rede pública de ensino e jovens de
baixa renda. O sistema de cotas é o mais adotado, mas não é o único tipo de
política afirmativa existente nas universidades.
Algumas das mais
conceituadas, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a
Universidade de São Paulo (USP), preferiram criar alternativas que beneficiam
os alunos que cursaram boa parte da educação básica em colégios públicos. No
caso das duas, eles ganham pontos adicionais, desde que atinjam as notas mínimas
exigidas para todos os candidatos do vestibular. Confira quem adota o quê.
Para escolas públicas, negros e indígenas
Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (Uerj) / Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf)/ Centro Universitário da Zona
Oeste (Uezo) / Fundação Escola Técnica do Estado do
Rio de Janeiro (Faetec)
As regras são as mesmas em
todas as estaduais. Os alunos que estudaram na rede pública ficam com 20% das
vagas do vestibular, outros 20% são para negros e 5%, para deficientes físicos
e minorias étnicas, como indígenas. Todos os candidatos às cotas têm de
comprovar carência financeira (renda bruta máxima de R$ 520 por pessoa da
família). Informações: www.uerj.br.
Universidade Estadual da
Bahia (Uneb)
Reserva 40% das vagas para
estudantes autodeclarados afrodescendentes
egressos de escolas públicas na graduação e na pós-graduação. Informações:
www.uneb.br.
Universidade Federal da Bahia
(UFBA)
Reserva 45% do total de
vagas. São divididas da seguinte maneira: 43% são para egressos de escolas
públicas (desse percentual, 85% são para alunos negros e pardos). Os outros 2%
ficam para os indígenas egressos de escolas públicas. Informações: www.ufba.br.
Universidade Estadual de
Londrina (UEL)
Do total, 40% das vagas são
para jovens que cursaram as quatro últimas séries do ensino fundamental e todo
o ensino médio na rede pública de ensino. Desse percentual, até metade deve
ficar com estudantes autodeclarados negros ou pardos.
Informações: www.uel.br.
Universidade Federal do
Paraná (UFPR)
Há dois sistemas de cotas. Do
total das vagas oferecidas, 20% são para egressos de escolas públicas. Outros
20% são reservados para os jovens autodeclarados
negros ou pardos. Informações: www.ufpr.br.
Universidade Federal de
Alagoas (Ufal)
Cada curso reserva 20% das
vagas aos estudantes negros e pardos que tenham estudado durante todo o ensino
médio em escolas da rede pública.
A inovação: desse total, 60%
devem ser dedicados às mulheres negras, e o restante, aos homens. Informações:
www.ufal.br.
Universidade Estadual de Mato
Grosso do Sul (UEMS)
Há cotas de 20% das vagas
para negros e 10% para índios. A instituição também oferece cotas para
docentes: 5% das vagas de professores são para candidatos negros ou pardos.
Informações: www.uems.br.
Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp)
A instituição ampliou o
número de vagas para criar o sistema de cotas. Aumentou em 10% o percentual
oferecido aos afrodescendentes e indígenas. Para
concorrer às vagas, os candidatos precisam ter cursado todo o ensino médio em
escolas públicas (municipais, estaduais ou federais).
Informações: www.unifesp.br.
Universidade do Estado de
Minas Geras (UEMG)/ Universidade Estadual de Montes
Claros (Unimontes)
Todos os estudantes
beneficiados pelo sistema de cotas precisam comprovar que cursaram todo o
ensino médio em escolas públicas e se encontram em situação de carência
financeira. Na duas instituições, 45% das vagas são
destinadas a afrodescendentes (20%), egressos de
escola pública (20%), portadores de deficiência e indígenas (5%). Informações:
www.uemg.br.
Universidade Estadual de
Goiás (UEG)
Há quatro modalidades de
cotas: para negros, índios, estudantes de escolas públicas e portadores de
necessidades especiais. Ao todo, 23% das vagas foram reservadas. Informações:
www.ueg.br.
Universidade Estadual do Mato
Grosso (Unemat)
A estadual destina 25%
das vagas a candidatos autodeclarados
pretos ou
pardos que cursaram o ensino fundamental e médio
exclusivamente em escolas públicas ou em particulares com bolsa de estudo.
Informações: www.unemat.br.
Universidade Federal de Juiz
de Fora (UFJF)
Há cotas de 50% das vagas
para alunos que estudaram, pelo menos, sete anos na rede pública. Desse total,
25% devem ser preenchidas por negros. Informações: www.ufjf.br.
Universidade Federal do Pará
(UFPA)
Das vagas, 50% são destinadas
aos alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas. Deste
percentual, 20% das vagas serão ocupadas por estudantes autodeclarados
negros. Informações: www.ufpa.br.
Universidade Estadual do
Amazonas (UEA)
Possui vários tipos de cotas.
Há reserva de 50% das vagas dos cursos de saúde para quem estudou pelo menos
oito anos em um dos 61 municípios do interior do estado. Do total de vagas, 80%
são exclusivas para estudantes do estado. Em cima desse percentual, 60% das
vagas são para alunos de escolas públicas. Além disso, a UEA cria vagas novas
para atender somente a indígenas, de acordo com a necessidade. Informações:
www.uea.edu.br.
Universidade Federal do ABC –
(UFABC)
Metade das vagas para o
primeiro processo seletivo, que acontecerá em julho, será destinada aos
estudantes que concluíram o ensino médio na rede pública. Das 750 vagas
oferecidas a esse público, 204 são para alunos de raça negra e duas para os de
origem indígena. Informações: www.ufabc.edu.br.
Só para escolas públicas
Escola Superior de Ciências
da Saúde (ESCS)
É mantida pelo governo do DF
e só oferece o curso de medicina. Do total das vagas, 40% são reservadas para
estudantes que cursaram toda a educação básica em escolas públicas.
Informações: www.saude.df.gov.br.
Universidade de Pernambuco
(UPE)
A universidade estadual
reserva 20% das vagas para alunos que cursaram o ensino médio na rede pública
estadual ou municipal. Os alunos das escolas técnicas e militares não podem
concorrer pelo sistema. Informações: www.upe.br.
Universidade Estadual do Rio
de Grande do Sul (UERGS)
A instituição reserva 50% das
vagas para alunos de baixa renda (renda familiar mensal de até R$ 410 per
capita). Mais 10% são destinadas aos portadores de
deficiência. Informações: www.uergs.edu.br.
Para indígenas
Universidade Federal de
Tocantins (UFT)
Só oferece cotas para índios.
A instituição fez uma pesquisa e 62% dos alunos se declaravam negros ou pardos.
Do total de vagas, 5% são destinadas aos indígenas. Informações:
www.uft.edu.br.
Sem cotas
Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp)
Implantou o Programa de Ação
Afirmativa e Inclusão Social (Paais), mas não há
reserva de vagas. Baseados em estudos, os dirigentes da estadual decidiram
privilegiar os egressos de colégios públicos. Se estes candidatos atingem a
nota mínima, recebem 30 pontos na nota. Os que se autodeclaram
pretos, pardos ou indígenas recebem mais 10. Informações: www.unicamp.br.
Universidade de São Paulo
(USP)
O sistema foi definido neste
ano. Assim como a Unicamp, a USP não criará cotas. Os estudantes egressos da
rede pública receberão 3% de acréscimo na pontuação obtida no vestibular.
Também houve aumento no número de vagas e redução no tamanho da prova. Informações:
www.usp.br.
Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN)
Adota um argumento de
inclusão para estudantes de escolas públicas do estado.São
concedidos bônus nas notas dos estudantes que se encaixam nesse perfil e tenham
tirado a nota média do curso. Os pontos extras somados à nota variam de acordo
com a graduação. Informações: www.ufrn.br.