ࡱ> 796[bjbj4 ΐΐ  0     acccccc$>  %%%  a%a%%% 31F%M0%%%(%% :ENTREVISTA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Maio de 68 deu mais liberdade s pessoas Publicado em 04.05.2008 no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco. Prestes a completar 37 anos em junho de 1968, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava em uma janela privilegiada naquele ano: ensinava teoria sociolgica em Nanterre, o centro irradiador da revolta parisiense. Mais: era professor do jovem estopim do Maio de 68, Daniel Cohn-Bendit. Foi muito emocionante ver, durante dias e dias, Paris inteira nas ruas, disse FHC ao Jornal do Commercio, em entrevista exclusiva por telefone, de So Paulo. JC Como o senhor analisa o Maio de 68? FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Aquilo foi um movimento muito mais existencial, uma busca de uma nova expresso cultural e de formas de conduta. Para mim, que tinha chegado a Nanterre em setembro de 1967, vindo do Chile, era surpreendente. Porque no Chile ns estvamos na questo da Revoluo Cubana, Guevara na Bolvia, luta antiimperialista, luta de classes. Em Nanterre, no havia nada disso. As palavras de ordem eram outras: proibido proibir, A imaginao no poder. Enfim, tinham a ver com uma nova expresso de comportamento. JC Dava para perceber a importncia que o movimento teria? FHC No incio no. Em fevereiro, toda semana almovamos eu, Celso Furtado, Waldir Pires e Luciano Martins. Apareceu por l Paulo Tarso, ministro da Educao de Jnio Quadros e ex-governador de Braslia, e perguntou o que iria acontecer ali. Celso, que conhecia a Frana desde a Segunda Guerra e estava muito integrado, respondeu: No vai acontecer nada. E ns todos concordamos. Dizia-se que, diferentemente de Luis XIV, Charles de Gaulle podia andar nas ruas sem ser vaiado. Parecia uma Frana bem tranqila. Isso em fevereiro. Em maio, pegou fogo. JC Alunos seus participaram dos protestos? FHC Daniel Cohn-Bendit era meu aluno. Era timo. Tinha os olhos muito vivos. Eu conversava muito com ele, me dava bem com ele alis, at hoje. O ministro da Educao, Alain Peyrefitte, queria mudar o sistema universitrio e os professores se opunham. Os estudantes estavam com um movimento libertrio. A principal reivindicao l em Nanterre era de comportamento sexual, porque nos dormitrios as moas podiam ir aos quartos dos rapazes, mas no vice-versa. Um dia o ministro dos Esportes e da Juventude, Franois Misoffe, foi l inaugurar uma piscina. E Cohn-Bendit o desafiou, acusando-o de agir como nazista, ao dizer que era preciso fazer esportes em vez de amor. A, o processaram. Um dia eu estava andando no corredor e ele se aproximou e perguntou como eu encarava isso, como exilado. Como ele no era francs, eu disse que a intromisso na vida poltica de um no-nacional era complicado. Ele era amigo do professor Allan Turrain, colega do ministro da Educao. Disse que procurasse Turrain, que ele resolveria. Mas a insatisfao dos professores cresceu. Um dia, na reunio da congregao, da qual eu participava, resolveu-se fechar a escola para mostrar que era impossvel dar aula por causa do clima de rebeldia. Para mim, no tinha rebeldia nenhuma. Eram s estudantes colocando cartazes. Era normal no Brasil e no Chile. Havia um professor de geografia comunista que disse: Quando meus amigos da Polnia vm aqui, eu fico envergonhado por causa da baguna. O reitor, que era um homem muito ponderado at, resolveu fechar a faculdade. Fecharam e no dia 22 de maro os alunos resolveram ocupar Nanterre. JC Havia uma inquietao da juventude em todo o mundo. FHC O que havia de comum era a revoluo tecnolgica. Tudo em tempo real. Contgio imediato. Foi a primeira exploso social como conseqncia da revoluo dos meios de comunicao. Em fevereiro, houve a Ofensiva do Tet, no Vietn. Foi um choque imenso, todo mundo via aquelas atrocidades. A guerra na sala de estar. Isso contagiou. Havia uma revolta contra a guerra. Nos EUA, houve a exploso dos guetos negros. No era a mesma coisa da Frana ou da Alemanha. No Brasil, era a luta contra a ditadura. Ento, houve um contgio, um movimento aspirando a liberdade que tomou formas diferentes em cada pas. Ento, foi aquela exploso. Foi muito emocionante ver, durante dias e dias, Paris inteira nas ruas. JC O senhor acha que o movimento francs foi derrotado? FHC No era um movimento para ganhar. No tinha propsito poltico. Foi derotado por De Gaulle, que se aliou aos comunistas e ganhou as eleies e acabou a greve. Mas deu um pouco mais de liberdade, um respiro a uma Frana sufocada, valeu sim. Era mais contra o modo de viver do que o modo de produzir. JC O senhor acha que houve uma folclorizao de 1968 ou o que aconteceu realmente foi determinante? FHC No sei se determinante, mas teve importncia. claro que, depois de um tempo, 1968 passou a ser uma marca. Houve mais idealizao do que folclorizao. Aquela coisa do proibido proibir, naturalmente, era uma aspirao infantil. Numa ordem organizada, vai ter que proibir. As coisas vo mudando. -o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o- 'RihN+hN+5hN+ hN+6hN+hN+6 hN+hN+5B*CJ aJ phhN+hN+56CJaJ'RZ [ 2X$a$gdN+gdN+21h:pQv. 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