Deitado na maca da ambulância, com a cabeça enfaixada e com grande parte do corpo coberta por um lençol, o capitão da Polícia Militar Dimerson Mendes, 41 anos, relatou os momentos de angústia por que passou ontem. Na breve conversa com os jornalistas, o oficial contou que apanhou de dezenas de pessoas até perder a consciência. JORNAL DO COMMERCIO – O senhor lembra o que aconteceu no momento do espancamento?
CAPITÃO – Muito pouco. Eu só me lembro que estava a uns 30 a 40 metros do local. E quando vi o tumulto, eu fui em direção para ver o que acontecia, mas nem cheguei lá. Várias pessoas me cercaram, me pegaram e começaram a bater fortemente com paus e o que tinham na mão. E... chegou um momento que eu perdi a consciência. Eu sangrava muito. E mesmo assim, algumas pessoas, civis, que viram aquilo me tiraram da multidão. E me levaram para dentro da viatura.
JC – O senhor consegue identificar algum dos agressores?
CAPITÃO – Não, não. Eu não tive condições. Porque começou logo com a batida na cabeça e eu perdi logo a consciência e infelizmente não deu para identificar ninguém.
JC – O senhor teve tempo de sacar arma?
CAPITÃO – Não, não. Em momento nenhum eu saquei minha arma. Eu tive minha arma roubada. No tumulto, senti quando puxaram minha arma, mas eu não tinha mais condição nenhuma de reagir. Eu estava preso. Muitas pessoas me pegaram. E não podia nem me sair do canto. Eles começaram a me bater com tudo que tinham na mão. Usaram tamborete e pedaços de pau, o que havia. Eu sangrava demais. Algumas pessoas que estavam no momento me tiraram do meio e me botaram numa guarnição e eu estou aqui.
JC – O senhor sabe informar se algum policial militar chegou a efetuar algum tiro?
CAPITÃO – Eu estava me dirigindo para o Pátio de São Pedro porque me informaram que ia haver um show lá quando eu ouvi um ou dois disparos. E foi nesse momento que me seguraram e começaram a me bater.