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CONFLITO II

Confronto deixa população em pânico
Publicado em 21.04.2006

A população que passava pela Avenida Dantas Barreto no momento da confusão entrou em desespero. Atordoados com os tiros e a correria, os motoristas e passageiros dos ônibus ficaram em pânico. As pessoas se abrigavam onde podiam. Muitos se deitaram no chão para não serem atingidos por balas perdidas. Em meio ao tumulto, os sem-terrinha, grupo de crianças do MST, ficaram desorientados e começaram a chorar em busca das mães.

“Não entendo como apenas três soldados atiram no meio de uma multidão. Foi um desespero grande. Fiquei com medo de ser baleado e abandonei meu tabuleiro”, contou um ambulante, que preferiu não se identificar.

Após a correria, os integrantes do MST seguiram em marcha até o Marco Zero para evitar mais confrontos com a polícia. Temendo novos conflitos, os deputados fizeram um cordão de isolamento em frente às viaturas da PM que chegaram para reforçar a segurança.

No Marco Zero, Amorim afirmou que a confusão teve início por causa do despreparo dos policiais. “Como os policiais atiram no meio da multidão? As conseqüências poderiam ter sido bem piores. Eu desci do carro e tentei retirar os policiais do foco. As pessoas estavam muito revoltadas. Não sei bem quem atirou em mim, se foi um capitão ou o soldado. Foi tudo muito rápido. Não vi absolutamente nada.”

A passeata saiu da Praça do Derby às 16h45. Em alguns momentos, durante o percurso, houve várias correrias e princípios de tumulto. De acordo com a PM, um grupo de criminosos se infiltrou no meio da manifestação para fazer arrastão.

A coordenação do II Fórum Social Brasileiro não conseguiu controlar a ala da União da Juventude Socialista (UJS) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que tentava a todo custo ultrapassar os sem-terrinha para ficar à frente da caminhada. Quando a manifestação chegou à Avenida Guararapes, ocorreu uma briga entre integrantes do movimento estudantil. Como não havia policiais em grande número, os estudantes não foram detidos. Durante a passeata, a ala da UJS utilizou refrões com palavrões impublicáveis. As palavras de ordem irritaram alguns líderes de movimentos sociais.

Uma das coordenadoras do II Fórum Social Brasileiro, Salete Valezan, reconheceu que, em alguns momentos, a caminhada fugiu do controle. “Tivemos alguns problemas e fomos contornando como podíamos.”

 
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